Pedro Juan Caballero - 9 de junio de 2026
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Depois do El Nio intenso, La Nia deve trazer alvio momentneo

Publicado el 17/03/2024

Ondas de calor e chuvas intensas em regiões já castigadas serão atenuadas no Brasil, mas a seca pode piorar a situação em regiões como Pantanal. Tendência de aquecimento global não muda, alertam cientistas.


Ondas de calore chuvas intensas em regies j castigadas sero atenuadas no Brasil, mas a seca pode piorar a situao em regies como Pantanal. Tendncia de aquecimento global no muda, alertam cientistas. Depois de umatemporada de superaquecimento, as guas do oceano Pacfico do sinais de que vo ficar mais geladas que o normal. Quase sem interrupo, o fenmenoEl Nioser substitudo por seu oposto, La Nia, aps uma temporada de temperaturas recordes e eventos extremos em todo o Brasil.

A sucesso dos fenmenos no comum e precisa ser acompanhada conforme se desenvolve, afirma Marcelo Seluchi, coordenador geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

"O planeta como um todo fica mais quente em anos em deEl Nio. 2023 foi o mais quente da histria conhecida. preciso aguardar um pouco ainda para ver como ser 2024 com o La Nia se formando, comenta Seluchi em entrevista DW

A previso inicial que ainfluncia do La Nia, a partir de junho, causar chuvas acima da mdia em parte da regio Norte, Minas Gerais e Bahia. Na regio Sul, que registrou enchentes recordes em algumas localidades influenciado peloEl Nio, as chuvas agora devem ficar abaixo da mdia.

" quase como um alvio para o Sul, que sofreu com sistemas ciclnicos de baixa presso atuando na costa. Mas se o La Nia persiste muito tempo, pode ficar muito seco e a regio voltar a ter problemas com impactos negativos na parte agrcola e na reserva de gua, analisa Trcio Ambrizzi, pesquisador do no Instituto de Energia e Ambiente (IEE), da Universidade de So Paulo, USP.

Antes de o ltimoEl Niose consolidar, em maio de 2023, o fenmeno oposto estava ativo e persistiu por trs anos (2020-2023) durao considerada rara. O perodo foi marcado por estiagem que levou a quebra de lavouras e causou a maior crise hdrica dos ltimos 78 anos na bacia do Paran-Prata, que abastece reservatrios vitais para a gerao de energia hidreltrica.

El Niodeixa rastro no agronegcio

No Rio Grande do Sul, o caos climtico dos ltimos meses percebido como um dos mais complexos j vividos pelos produtores rurais.

"O excesso de chuva, diferena de luminosidade para fotossntese e na polinizao, o aparecimento de doenas que no eram tradicionais prejudicou muito a safra do milho, detalha Alencar Rugeri, tcnico no estado da Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural (Emater).

Por conta dos efeitos doEl Nio, o plantio da soja, tradicionalmente iniciado em outubro, foiatrasado para dezembro. Isso compromete todo o planejamento e coloca o produtor numa zona de desconforto, pontua o tcnico do Emater.

"Os reflexos sobre a soja ainda no podem ser mensurados. um perodo frgil, vulnervel, numa corrida que dura cerca de 130 dias. Essa mudana aumenta o risco de outras coisas, h uma presso mais forte de doenas, como ferrugem, detalha Rugeri DW.

Em todo o pas, a previso da safra nacional de gros de queda de 4,7% em relao ao colhido em 2023, prev o Levantamento Sistemtico da Produo Agrcola divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). O total agora deve ser de 300,7 milhes de toneladas em 2024 - no ano anterior foram 315,4 milhes de toneladas.

Seca onde j est seco

A poca das chuvas chega ao fim com seca em boa parte da regio Sudeste e Centro-Oeste, alerta Seluchi, do Cemaden.

"Em maro, quando a estao chuvosa est fechando, espera-se a recuperao dos rios, solo carregado com umidade. Mas isso no aconteceu em vrias regies e abre preocupao porque, com o La Nia, a situao no vai melhorar onde j est seco, explica o meteorologista DW.

No Pantanal, a situao j preocupante. Rios importantes da bacia do Paraguai, que engloba o bioma em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, esto abaixo do esperado para esta poca do ano. Segundo dados do Servio Geolgico do Brasil (SGB), o dficit de chuvas lembra o cenrio observado nos anos mais crticos de secas. Em 2020, o Pantanal enfrentou uma estiagem severa e registrou incndios recordes.

Na bacia do rio Paran o panorama tambm gera tenso. "Caso a estao chuvosa 2023-2024 finalize com chuvas abaixo da mdia e a La Nia venha se configurar, no muito favorvel para os reservatrios das usinas hidreltricas devido atual condio de seca hidrolgica, afirma a nota tcnica do Cemaden.

A crise hdrica desta bacia entre 2020 e 2023 obrigou a paralisao de algumas turbinas nas usinas e impulsionou o acionamento das termeltricas, que so mais poluentes e mais caras.

Aquecimento continua

Toda vez que atemperatura superficial do Pacfico Equatorial est 0,5C abaixo que a mdia histrica, o fenmeno classificado como La Nia. Quando a mesma variao para cima, oEl Niose desenvolve.

O resfriamento momentneo no Pacficoprevisto para entrar em ao na segunda metade do anono muda a tendncia de aquecimento do planeta, ressalta Jos Marengo, climatologista que coordena a pesquisa e desenvolvimento no Cemaden.

"So duas coisas diferentes. Quando falamos do aquecimento global, um processo de longo prazo. La Nia uma variabilidade climtica, curta, que dura cerca de um ano, diz Marengo DW.

Durante a ltima temporada do fenmeno, provocado pelo resfriamento do Pacfico Equatorial, a temperatura mdia da Terra continuou subindo, mas em ritmo menor. No fim de 2023, a Organizao Meteorolgica Mundial divulgou que o termmetro mdio da Terra marcou naquele ano 1,45C acima dos nveis pr-industriais (1850-1900).

"No vamos passar por um resfriamento global com o La Nia. Teremos um pequeno alvio nestas ondas de calor. Com o La Nia, no sabemos se o aquecimento vai continuar nos outros oceanos, como aconteceu com Atlntico e ndico nesseEl Nio. Podemos aguardar uma pequena atenuao, mas o mundo continua aquecendo, afirma Marengo.

g1.globo.com

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