Pedro Juan Caballero - 25 de septiembre de 2026
Interamericanas

├óÔé¼╦£Lula e PT institucionalizaram a corrupÃ┬ºúo├óÔé¼Ôäó, diz Joesley

Publicado el 16/06/2017

Em entrevista Ã┬á ├óÔé¼╦£ÃÔÇ░poca├óÔé¼Ôäó, empresário diz que ex-ministro Guido Mantega era seu interlocutor no PT para negócios e propinas; ele diz que nunca tratou do assunto com Lula.


Lula,Aecio Neves e Michel Temer

SO PAULO - Em entrevista revista "poca", o empresrio Joesley Batista, dono da JBS, relata como funcionaria o esquema de pagamento de propinas ao PT em troca que facilidades para os negcios da maior companhia de protena animal do mundo. Ele afirma que a institucionalizao da corrupo no governo federal comeou na gesto do ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva. Entretanto, Joesley afirma que nunca tratou do assunto propina com o petista.

"Foi no governo do PT para frente. O Lula e o PT institucionalizaram a corrupo. Houve essa criao de ncleos, com diviso de tarefas entre os integrantes, em estados, ministrios, fundos de penso, bancos, BNDES. O resultado que hoje o Estado brasileiro est dominado por organizaes criminosas. O modelo do PT foi reproduzido por outros partidos", disse o empresrio "poca".

Perguntado por que no gravou conversa com Lula, como fez com o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Acio Neves (PSDB), Joesley disse que nunca tratou com o petista sobre propina e afirma que o contato dele para resolver esse tipo de questo era o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. "Nunca tive conversa no republicana com o Lula. Zero. Eu tinha com o Guido. Conheci o Lula no final de 2013", disse. O empresrio conta revista que esteve com Lula, antes disso, em 2006, quando assumiu a presidncia da JBS. "Pedi audincia oficial. Deve estar nos registros. Fui com meu pai apresentar a empresa. Nunca mais vi o Lula at o fim de 2013. No precisou ter conversa. Meu contato era o Guido".

Ele conta que o ex-ministro "resolvia" tudo que ele precisava especialmente no BNDES. "(Guido) Resolvia. Ento pronto. Pra que ter outro (interlocutor)? No estou protegendo ningum, mas s posso falar do que fiz e do que posso provar. O que posso fazer se a interlocuo era com o Guido?", disse. Segundo Joesley, Mantega tinha forte influncia junto ao BNDES. Ele reafirmou que pagava a propina ao ex-ministro em uma conta na Sua. "Estvamos nas mos deles. Era s o Guido dizer no BNDES que no era mais do interesse do governo investir no agronegcio. Pronto. Bastava uma mudana de diretriz de governo para acabar com o nosso negcio".

JOESLEY: 'TEMER CHEFE DA ORCRIM'

Em dez pginas de entrevista, o empresrio conta como, ao longo dos ltimos 15 anos, abasteceu esquemas de corrupo, do PT, PMDB e PSDB. O foco, entretanto, so as relaes da JBS com o PMDB e o presidente Temer.Ele chama o peemedebista de chefe da quadrilha do PMDBe d detalhes de como tudo teria comeado. Essa a maior e mais perigosa organizao criminosa desse pas. Liderada pelo presidente, declarou Joesley. O Temer o chefe da Orcrim da Cmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. o grupo deles. Quem no est preso est hoje no Planalto.

Joesley diz que conheceu Temer em 2010. "Nunca foi uma relao de amizade. Sempre foi uma relao institucional, de empresrio que precisava resolver problemas. Acho que ele me via como um empresrio que poderia financiar as campanhas dele e fazer esquemas que renderiam propina", afirmou. O primeiro pedido de dinheiro veio ainda naquele ano. "Esse negcio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer no tem muita cerimnia para tratar desse assunto", emendou.

O empresrio contou como teria sido o acerto de pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha quando este j estava preso para impedi-lo de fazer uma delao premiada. Esse foi um dos episdios tratado por Joesley no encontro gravado que teve com Temer. "Eu tinha perguntado a ele (Cunha): 'Se voc for preso, quem a pessoa que posso considerar seu mensageiro?'. Ele disse: 'O Altair procura voc. Qualquer outra pessoa no atenda'. Passou um ms, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro (R$ 5 milhes) a um cara que est preso? A o Altair disse que a famlia do Eduardo precisava de dinheiro e que ele estaria solto logo, logo. Fui pagando em dinheiro vivo, ao longo de 2016", disse Joesley.

GEDDEL, O MENSAGEIRO DE TEMER

Segundo a entrevista, a compra do silncio do ex-deputado era monitorada por um "mensageiro do presidente", o ex-ministro Geddel Vieira Lima. "E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema. De 15 em 15 dias era uma agonia. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delao, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lcio calmos era eu".

O empresrio diz que foi ao encontro de Temer para ter certeza se o esquema de pagar pelo silncio de Cunha era para continuar. "Eu queria ter certeza de que essa agenda ainda era do Temer. De repente eu chegava l e ela dizia: 'No, Joesley, para, no precisa mais no'. Mas ele fala para mim que tem que continuar isso".

Joesley diz que gravou o presidente porque "sabia que estava aumentando a chance" de ele "trocar de lado" e fazer a colaborao com o Ministrio Pblico.

Ele conta tambm os episdios em que Temer teria pedido dinheiro a ele: "Uma vez foi quando ele pediu R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner (Rossi) saiu (do ministrio da Agricultura), Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Tambm pediu para um tal de Milton Ortolan que est l na nossa colaborao. Um sujeito que ligado a ele. Pediu para ns fazermos um mensalinho. Fizemos. Ele volta e meia fazia pedidos assim".

De acordo com o empresrio, Temer tambm pediu para que ele pagasse o aluguel de seu escritrio poltico na Praa Pan-Americana, em So Paulo. Eu desconversei, fiz de conta que no entendi, no ouvi. Ele nunca mais me cobrou (...) H polticos que acreditam que, pelo simples fato do cargo que ele est ocupando, j habilita voc a ficar devendo favores a ele. Temer assim.

INTERLOCUO COM FUNARO E CUNHA

As tratativas de dinheiro, segundo Joesley, obedeciam a uma hierarquia dentro do grupo primeiro, o empresrio tratava de pagamentos com o doleiro Lcio Funaro; caso no tivesse seu pedido atendido, buscava Eduardo Cunha, que seria subordinado a Temer, a quem recorria por ltimo. Segundo Joesley, Michel Temer se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.

Virei refm de dois presidirios. Combinei quando j estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhes. Disse que eu devia a ele. No devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso, afirmou, referindo-se a Cunha e Funaro.

ACIO, O NMERO 2

Joesley justificou por que tomou a deciso de gravar conversas tambm com o senador Acio Neves. "Preciso fazer uma ao indiscutvel para o entendimento da populao e do MP. Vou registrar como se do as conversas com o nmero 1 da Repblica e o nmero 2, que seria a alternativa ao nmero 1. Se o Brasil no entendesse que o 2 era igual ao 1, o Brasil ia achar que a soluo era substituir 1 por 2. Mas o 2 do mesmo sistema", afirmou.

ADIO DA CONVERSA

O herdeiro dos Batista reagiu s acusaes de que o udio entregue Procuradoria foi editado. "Podem fazer todas as percias do mundo. Tentam desqualificar o udio por desespero". Ele diz que encaminhou polcia indcios de ameaas que teria sofrido quando comeou a fazer a delao. "Recebi mensagens annimas enquanto estava fazendo a delao. No dia em que comeamos a delao, o Ricardo (Saud) teve um assalto estranhssimo na porta de casa, com revlver. Pode ser s coincidncia. Mas ficamos olhando um para a cara do outro: ser que tem a ver? Eu nunca andei com segurana e passei a andar com quatro. Eram ameaas veladas. Diziam 'Isso no vai dar certo. O fim no vai ser bom'. Passei para a polcia o que consegui registrar"./p>

VENDA DE AES DA JBS

Joesley negou que tenha se aproveitado da delao para vender aes da empresa. "A CVM pode investigar e temos tranquilidade em responder. So operaes feitas absolutamente dentro das regras. No houve nada de atpico. pblico. Eu preciso de dinheiro. Eu tenho aes e preciso vender. No tem mistrio.

Sobre o futuro do grupo empresarial, o empresrio diz que vender ativos o quanto for necessrio para que "no paire dvida sobre nossa solvncia". "Vamos vender o que for preciso para recuperar as contas e a nossa credibilidade".

PEDIDO DE DILMA NO PLANALTO

O empresrio diz que tratou de propina com a ex-presidente Dilma Rousseff no Palcio do Planalto. Conta que na ocasio exps para a ento presidente os detalhes da conta corrente de propina que mantinha com Guido Mantega. Confirmei com a Dilma porque ela me pediu R$ 30 milhes para o Pimentel (Fernando, governador de Minas Gerais). A me senti na liberdade de explicar, disse. A conversa, conta Joesley, foi no Palcio do Planalto, na mesa redonda do gabinete presidencial. Expliquei: acabou o dinheiro. Ela ouviu e falou: T bom. Pode fazer. Foi o ltimo dinheiro. Estava no final da campanha (de 2014).

PMDB E A CAIXA

O empresrio relata que um dos braos do que chama de organizao criminosa do PMDB estava na Caixa Econmica Federal. Foi a que o Lcio (Funaro) entrou na minha vida. Omodus operandisempre foi assim: eu tentava fazer operaes na Caixa, o Lcio descobria e vinha falar comigo. Ele dizia: Vai ter 3%, no , diz Joesley.

CPI DA JBS

O empresrio conta que a presso por dinheiro vinda de Cunha aumentou quando ele chegou presidncia da Cmara. Ele chegou para mim: Joesley, esto querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. o seguinte, voc me d R$ 5 milhes que eu acabo com a CPI. Eu falei: Pode abrir, no tem problema. Ele imediatamente falou assim: Seu concorrente me paga R$ 5 milhes para abrir essa CPI. No paguei e ele no abriu. Esse o exemplo mais bem acabado da lgica dessa organizao criminosa.

OUTRO LADO

Em nota, o presidente Michel Temer disse que o empresrio "o bandido notrio de maior sucesso na histria brasileira". Neste sbado, o Palcio do Planalto afirmou que a JBS tinha "milhes de razes" para odiar o governo Temer, e tentou associar o crescimento da empresa somente aos governos petistas, dos quais o partido de Michel Temer era aliado. Michel Temer disse que ir processar Joesley Batista.

Nota assinada pelo advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, diz que empresrio no aponta "qualquer ilegalidade cometida, conversada ou do conhecimento do ex-presidente Lula". Segue o texto:

"A entrevista de Joesley Batista tem que ser entendida no contexto de um empresrio que negocia o mais generoso acordo de delao premiada da histria. Mesmo nesse contexto, Batista foi incapaz de apontar qualquer ilegalidade cometida, conversada ou do conhecimento do ex-presidente Lula. Consideraes genricas e sem provas de delatores no podem ser consideradas como dignas de crdito e no tm qualquer valor jurdico".

O PT divulgou a seguinte nota: "As acusaes do empresrio Joesley Batista contra o Partido dos Trabalhadores so genricas, carecem de provas e no condizem com a verdade. O PT reitera que todas as doaes que recebeu so legais e foram analisadas e aprovadas pela justia eleitoral."

O deputado Eduardo Cunha nega qualquer participao ilcita afirma que prestar nos autos todos os devidos esclarecimentos. O ex-deputado Henrique Eduardo Alves e o ministro Eliseu Padilha no vo se manifestar.

O ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidncia) divulgouuma notana qual afirma que o dono da JBS, Joesley Batista, tem "desenvoltura em mentir". Moreira disse ter se encontrado apenas uma vez com o delator em uma viagem de trabalho e afirma que no ter tido relacionamento com o empresrio.

A defesa de Geddel Vieira Lima disse que ele permanece convicto de que ningum poder enred-lo em qualquer ilicitude j que jamais praticou qualquer ilegalidade. E que o cliente continua, como sempre esteve, disposio das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessrios, j tendo renunciado aos seus sigilos bancrio e fiscal.

O PSDB e o senador afastado Acio Neves, disseram que, conforme dito pelos prprios delatores, a JBS doou cerca de R$ 60 milhes para as campanhas do partido em 2014, parte para a campanha presidencial e parte para as estaduais, conforme registrado no TSE. E, segundo eles, jamais houve contrapartida para essas doaes o que torna absurdo caracteriz-las como propina.

A defesa de Lcio Funaro disse que desde o primeiro depoimento prestado PF ele vem respondendo tudo que lhe indagado de modo preciso e de acordo com a verdade, que ele no vai comentar a entrevista e que tudo ser respondido nos autos dos processos ou dos inquritos em tramitao.

Fonte:oglobo.globo.com (com informaes do G1)
Buscador
Lo Ultimo