Pedro Juan Caballero - 25 de septiembre de 2026
Interamericanas

Sócio de filho de Lula usou empresa de fachada para receber repasses da Oi, diz ex-executivo a jornal

Publicado el 20/10/2017

Marco Aurélio Vitale afirma que companhia injetava recursos em grupo de Jonas Suassuna


Fbio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula

RIO Ex-diretor do grupo empresarial deJonas Suassuna, que scio de um dos filhos do ex-presidenteLuiz Incio Lula da Silvae um dos proprietrios do stio de Atibaia (SP) atribudo ao petista, Marco Aurlio Vitale afirmou, ao jornal "Folha de S.Paulo", que empresa de Suassuna foi usada como fachada para receber recursos da Oi. Vitale disse que os recursos eram direcionados aFbio Lus Lula da Silva, filho de Lula, e seus scios. O ex-diretor declarou ainda que os repasses eram justificados por meio de contratos "sem lgica comercial". Vitale confirmou ao GLOBO o teor da entrevista concedida "Folha".

De acordo com a Polcia Federal, as empresas receberam R$ 66,4 milhes da Oi entre 2004 e 2016. "Folha de S.Paulo", os advogados de Lula e da Oi negaram a prtica de atos ilcitos. J Fbio Lus no se manifestou.

Vitale contou que Grupo Gol, de Jonas Suassuna, conseguiu um tratamento que no existe dentro da Oi. O nico objetivo do contrato entre ambos era o repasse de recursos da empresa de telefonia para as firmas de Suassuna. O Grupo Gol atua nas reas editorial e de tecnologia e no mantm nenhuma relao com a companhia area de mesmo nome.

Jonas Suassuna dono de metade do stio em Atibaia (SP), que o Ministrio Pblico Federal diz ser de Lula, e tornou-se scio de Fbio Lus e Kalil Bittar (irmo de Fernando Bittar, dono da outra metade do stio) e da Oi na Gamecorp em 2007. Fbio Lus scio de empresas do Grupo Gol.

Questionado sobre qual era o motivo dos contratos do grupo de Suassuna com a Oi, Vitale disse que "muitos dizem que seria uma contrapartida pela mudana da lei da telecomunicao para permitir a compra da Brasil Telecom":

Nunca ouvi falarem disso. Esse assunto no era tratado dessa maneira. Mas Jonas e suas empresas foram utilizadas, na minha opinio, como uma fachada necessria para que o Fbio e Kalil realizassem seus negcios atravs da ligao familiar. Nesse movimento, os negcios no eram o mais importante. O importante era a entrada de dinheiro.

O ex-diretor afirma que a receita do grupo era da Oi e que diretores sabiam da existncia de contratos e receitas milionrias:

Mas nunca ficou claro quanto e pelo qu a Oi pagava.

Na entrevista, Vitale afirma que Suassuna no falava sobre os contratos.

O modelo de gesto sempre foi muito centralizado. Qualquer assunto era tratado de forma fechada com Fbio, Kalil e Fernando Bittar. Esporadicamente se encontravam com Lula em So Paulo.

Questionado se o nome de Lula era usado, Vitale afirma que existia na Oi "uma noo clara de que a Gol s estava l por causa do ento presidente":

No caso da Oi, no se falava o nome do ex-presidente porque eles queriam buscar outros negcios e existia dentro da Oi uma noo clara de que a Gol s estava l por causa do ento presidente. As pessoas da Oi no se sentiam vontade de falar sobre isso. Mas, em almoos que Jonas fazia com empresrios, ele sempre se posicionava como scio do filho do presidente, amigo do presidente.

De acordo com o ex-diretor, Lula no frequentava a empresa. Vitale disse ter visto o ex-presidente apenas uma vez, quando j ele tinha deixado o Palcio do Planalto, porque Suassuna queria mostrar as instalaes da companhia. Sobre o stio de Atibaia, o ex-diretor disse que sabia da propriedade, mas ela "era do Lula":

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Nunca foi dito que era do Jonas. Ele nunca tratou sendo como dele, sempre tratou como stio do Lula. (Aps a divulgao do caso), ele fala, em almoo na empresa, que tinha um stio ao lado, que comprou como investimento.

Vitale conheceu Suassuna entre 1997 e 1998, quando era gerente de marketing da "Folha de S.Paulo". Em 2009, foi chamado pelo empresrio para trabalhar com ele. A sociedade entre Suassuna e o filho de Lula, segundo ele, sempre foi colocada como lcita "que no traria benefcios diretos para o Jonas":

Exceto o fato de ser scio do filho do presidente, o que te d uma visibilidade natural.

INTIMADO PELA RECEITA FEDERAL

Marco Aurlio Vitale da Costa confirmou,neste sbado, ao GLOBO, o teor da entrevista concedida "Folha". O ex-diretor, que atualmente trabalha como fotgrafo e presidente da ONG "Instituto de Percepes de Responsabilidade Social", disse ter sido intimado a prestar esclarecimentos Receita Federal h cerca de um ano, no Rio de Janeiro, numa investigao sobre a empresa de Suassuna.

Naquele depoimento, ele afirmou ter relatado episdios e apresentado documentos que comprovariam que o Grupo Gol teria sido usado como fachada para o repasse de dinheiro da operadora Oi para o filho de Lula. Seu ltimo contato que teve com Suassuna, contou ele, foi naquela poca, quando recebeu a intimao da Receita.

Eu disse ao advogado dele (Suassuna) que tinha sido intimado pela Receita e iria dizer tudo que sabia. Depois disso, nunca mais falei com ningum contou ele ao GLOBO.

Vitale explicou que foi chamado pela Receita assim como outros executivos que trabalharam ou continuam na Gol, e negou que tenha chantageado Suassuna, como insinuou Folha um advogado do empresrio.

Nunca pedi nada a eles. Isso absurdo. Eu no estou envolvido em nenhum desses contratos suspeitos. Quando entrei na empresa, eles j haviam sido assinados. Mas sei de muita coisa, como muita gente l dentro sabe. S quero compartilhar a verdade.

OUTRO LADO

Ao jornal "Folha de S.Paulo", Suassuna negou ter sido beneficiado pela Oi por ser scio do filho de Lula:

Tudo isso j passou pelo escrutnio da Receita Federal. J prestei todas as contas e no fui multado. Levei muito tempo para chegar aonde cheguei. Tenho currculo, respeitabilidade e um carimbo da Polcia Federal e do Ministrio Pblico. Em nenhuma delao eu apareci.

O empresrio negou ainda ter usado o nome do ex-presidente para fechar negcios. Sobre o stio em Atibaia, disse ter comprado um dos terrenos a pedido de Jac Bittar, pai de Fernando e Kalil Bittar e amigo do ex-presidente.

Ele (Jac) me disse: "Comprei um stio, mas o cara s vende dois. O presidente Lula vai sair da Presidncia e quero que ele fiquei comigo, porque ele meu amigo. Quero fazer isso para ele". Eu tinha R$ 1 milho. Tinha muito mais. Fui l e comprei. Com meu dinheiro eu compro o que eu quise afirmou Suassuna.

A defesa de Lula afirmou ao jornal que os fatos relacionados Oi e s empresas de Lulinha j foram objeto de inquritos e todos eles foram arquivados porque no foi identificada a prtica de qualquer ato ilcito. Sobre o stio, o ex-presidente alega que foi adquirido pelas pessoas que constam na matrcula do imvel como proprietrias, que aplicaram recursos prprios e com origem demonstrada.

A Oi divulgou nota em que diz que as empresas mencionadas so reconhecidas no mercado e fornecedoras de grandes companhias que operam no pas.

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"Os servios contratados e citados na reportagem seguem parmetros comerciais. A Oi j prestou esclarecimentos s autoridades competentes no passado e no tem mais o que comentar ou acrescentar s informaes apresentadas", diz a nota.

Lulinha, Kalil e Fernando Bittar no se pronunciaram na reportagem.

Em nota, o Grupo Gol classificou a entrevista de Marco Aurlio Vitale como "mentirosa e recheadas de suposies no documentada". Segundo o grupo, os contratos com a Oi so lcitios e "em valores absolutamente compatveis com o mercado". Afirmou ainda que Jonas Suassuna e suas empresas foram alvo de 78 investigaes da Receita, "o entanto, nada foi provado contra ele que d lastro a tais acusaes". Disse tambm que no h nenhuma denncia ou processo contra o empresrio. Ainda de acordo com a nota, o grupo afirmou que j toma "medidas cabveis" para interpelar Vitale na Justia.

Fonte: oglobo.globo.com
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