Pedro Juan Caballero - 31 de julio de 2026
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Sheyza escondeu procedimento no Paraguai e família procura amiga que a levou

Publicado el 20/09/2020

Família juntou conversas de WhatsApp que mostram como Sheyza foi "coagida" a não contar nada desde que começou a passar mal


Sheyza morreu aps procedimento de aplicao de hidrogel em clnica clandestina (Foto: Reproduo/Facebook)

Alm de esconder o procedimento, a estudante de Esttica Sheyza Ayala, de 21 anos, tambm foi coagida a manter em segredo a aplicao de gel nos glteos, feita em uma clnica clandestina em Pedro Juan Caballero. Essa a afirmao da famlia da jovem que no sabia do procedimento e nem do mal-estar sentido pela menina ainda no dia da aplicao. Sheyza morreu na madrugada de quinta-feira (17), cinco dias depois do procedimento.

O pai da jovem est destroado. Ao telefone, repete "linda, linda, minha filha era linda. Nunca tinha feito nada. Fez tudo escondido da gente", diz Diogo Ayala, que em seguida passa a ligao para o filho, Diego, conversar com a reportagem.

Irmo mais velho de Sheyza, Diego conta que a estudante foi para Pedro Juan Caballero no sbado, dia 12, sem falar nada para a famlia junto de uma amiga. "A gente no ficou sabendo de comeo, porque a doutora responsvel pelo local dizia que no era para ela falar para ningum, que estava tudo normal e que nada ia acontecer", descreve o professor Diego Ayala, de 35 anos.

Depois do procedimento, Sheyza voltou para a casa da amiga, onde j comeou a se sentir mal e pediu para que a famlia a buscasse. "E aparentemente estava tudo bem, ela no falou nada para a gente, porque estava sendo coagida a no falar nada. Ela confiou na pseudomdica", diz o irmo.

Ainda segundo o irmo, no sbado ela acabou revelando que havia feito "um procedimento", mas sem detalhes. 'Fiz um procedimento normal, vrias pessoas j fizeram e est tudo bem', ela disse e ns acreditamos at ver na segunda que no era nada normal", conta Diego.

Na segunda-feira (14), Sheyza passou a ter febre e muita falta de ar, foi quando a famlia a levou para o Hospital Regional de Ponta Por. Sem saber que substncia foi aplicada nem o local, familiares procuraram pela amiga que tambm teria feito o procedimento, mas ela no foi encontrada. "A prpria amiga desapareceu, no nos deu nenhuma informao", relata. "Abandonaram ela", completa Diego.

No hospital, o irmo descreve que foram feitos exames para saber o que estava acontecendo e no dia seguinte, na tera (15), a estudante foi para a UTI onde ficou em coma induzido e ventilao mecnica.

"Na tera, os mdicos falaram que precisavam fazer este procedimento, do coma induzido e da ventilao mecnica, para preservar a funo pulmonar e cardaca dela. A ltima coisa que ela falou foi que amava todo mundo e que ia ficar bem".

"Me, eu preciso fazer isso para eu ficar bem e voltar logo para casa", reproduz a fala da irm. "Ela mandou beijo para todo mundo e disse que logo ia estar em casa".

Sheyza morreu na madrugada de quinta-feira. Ainda de acordo com a famlia, a causa da morte foi insuficincia respiratria generalizada, tromboembolia pulmonar e hemorragia alveolar.

"A nossa inteno buscar ajuda, estamos entrando com representao tanto no Brasil quanto no Paraguai, para que isso no acontea com outras pessoas", afirma o irmo.

A prpria famlia diz ter "periciado" o celular da menina onde constata a coao e que Sheyza pediu ajuda. "A gente juntou as conversas como se fosse um vdeo e gravando e mostra o despreparo e o desprezo da doutora irresponsvel. Ela fala que est passando mal e dizem que 'no nada, est tranquilo' e isso e aquilo", diz indignado o irmo.

Sheyza foi enterrada na sexta-feira (18) e desde ento a famlia corre pedindo por justia. "A gente vai entrar no Paraguai pedindo pela priso dessas duas pessoas responsveis e aqui pelo Brasil ns estamos lavrando uma ocorrncia para ver se a Polcia consegue encontrar essa amiga", resume o irmo.

Do lado de c da fronteira, a famlia quer saber quem levou e buscou Sheyza e a amiga da clnica. "Por que elas foram e se a jovem sabia que a estudante estava passando mal, porque no prestou socorro ou nos contactou?", questiona Diego.

Pelas conversas, a famlia chegou a dois nomes, o de Danilda que teria feito a aplicao e de Cludia, suposta mdica e dona da clnica.

A famlia tenta no pensar se poderia ter salvo a jovem caso soubesse ainda no sbado. "Embolia pulmonar muito complicado. A gente no sabe se tivesse vindo antes, no hospital tambm falaram que mesmo que ela ficasse viva, ia ter sequelas", explica o irmo. "O que a gente quer que isso no acontea com mais ningum, nenhum amigo, nenhum familiar de ningum", finaliza Diego.

campograndenews.com

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